O setor de saúde em Belém exibe um paradoxo estrutural: o expressivo fortalecimento dos recursos humanos e físicos não conseguiu reverter de forma contundente os indicadores de saúde de base. O número de médicos por mil habitantes cresceu de forma robusta, passando de 2,09 em 2010 para 4,09 em 2025, assim como o de enfermeiros, que saltou de 0,68 para 2,44 no mesmo período, acompanhado pela manutenção de uma rede de leitos hospitalares predominantemente voltada ao SUS (227,5 leitos em 2025). O município também manteve um compromisso fiscal elevado, aplicando historicamente mais de 20% de suas receitas próprias em saúde. Apesar desse robusto aparato e do aporte financeiro, a taxa de mortalidade infantil estagnou, flutuando de 18,99 em 2006 para 13,55 em 2017, mas retornando ao patamar de 15,52 em 2023. Essa resistência na redução dos óbitos na infância sugere gargalos na atenção primária e no pré-natal, evidenciando que a expansão da infraestrutura de média e alta complexidade não anula as carências sociais e de saneamento básico que afetam as famílias mais vulneráveis.
A taxa de mortalidade infantil mede os óbitos de crianças com menos de 1 ano de vida por 1.000 nascidos vivos. A OMS considera taxas abaixo de 10 como baixas e acima de 30 como altas. É um dos indicadores mais sensíveis das condições de saúde, saneamento básico, nutrição e acesso a cuidados médicos.
Entre 2006 e 2023, Belém registrou queda de 18% — de 18,99 para 15,52.
Tendência
Fonte: IBGE
Número de leitos hospitalares do Sistema Único de Saúde por 100 mil habitantes. A OMS recomenda ao menos 300 leitos por 100 mil para um sistema de saúde adequado. Inclui leitos cirúrgicos, clínicos, obstétricos, pediátricos e de UTI da rede pública.
Leitos SUS — Cobertura moderada
Leitos não-SUS (rede privada)
Tendência
Fonte: IEPS / DATASUS
Número de médicos por 1.000 habitantes. O Conselho Federal de Medicina recomenda ao menos 2 médicos por 1.000 habitantes para atendimento adequado. A má distribuição de médicos é um dos principais desafios da saúde pública brasileira.
Médicos
Entre 2010 e 2025, Belém registrou crescimento de 95% — de 2,1 para 4,09.
Tendência
Enfermeiros
Fonte: DATASUS / IEPS
Percentual de domicílios com acesso adequado a abastecimento de água tratada e esgotamento sanitário. Diretamente relacionado à saúde pública - municípios com baixa cobertura apresentam maiores taxas de doenças de veiculação hídrica e mortalidade infantil.
Entre 2010 e 2025, Belém registrou crescimento de 23% — de 68,4% para 83,95%.
Tendência
Fonte: IEPS
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