O setor de saúde em Tatuí é marcado por um paradoxo entre o aumento de recursos humanos e a deterioração de indicadores de resultado e infraestrutura pública. Por um lado, a gestão municipal demonstra forte compromisso fiscal com a área, aplicando historicamente percentuais elevados de sua receita própria em saúde (frequentemente acima de 30%, com pico de 41% em 2021). Esse investimento viabilizou um aumento expressivo na densidade de profissionais, com a taxa de médicos saltando de 1,89 por mil habitantes em 2010 para 3,80 em 2025, além do fortalecimento do corpo de enfermagem. Por outro lado, a taxa de mortalidade infantil permanece persistentemente volátil e elevada para os padrões do estado de São Paulo, flutuando na casa dos 13,99 por mil nascidos vivos em 2023, o que sinaliza gargalos crônicos na atenção primária e no acompanhamento pré-natal. Adicionalmente, observa-se uma preocupante transição na infraestrutura hospitalar: enquanto os leitos disponíveis ao SUS encolheram de 94 em 2010 para cerca de 64 em 2025, os leitos não-SUS (privados ou de saúde suplementar) registraram forte expansão, superando 102 leitos no mesmo período. Essa dinâmica sugere uma crescente elitização ou privatização do atendimento hospitalar, o que pode sobrecarregar a parcela da população que depende exclusivamente do sistema público.
A taxa de mortalidade infantil mede os óbitos de crianças com menos de 1 ano de vida por 1.000 nascidos vivos. A OMS considera taxas abaixo de 10 como baixas e acima de 30 como altas. É um dos indicadores mais sensíveis das condições de saúde, saneamento básico, nutrição e acesso a cuidados médicos.
Entre 2006 e 2023, Tatuí registrou crescimento de 52% — de 9,21 para 13,99.
Tendência
Fonte: IBGE
Número de leitos hospitalares do Sistema Único de Saúde por 100 mil habitantes. A OMS recomenda ao menos 300 leitos por 100 mil para um sistema de saúde adequado. Inclui leitos cirúrgicos, clínicos, obstétricos, pediátricos e de UTI da rede pública.
Leitos SUS — Cobertura baixa
Leitos não-SUS (rede privada)
Tendência
Fonte: IEPS / DATASUS
Número de médicos por 1.000 habitantes. O Conselho Federal de Medicina recomenda ao menos 2 médicos por 1.000 habitantes para atendimento adequado. A má distribuição de médicos é um dos principais desafios da saúde pública brasileira.
Médicos
Entre 2010 e 2025, Tatuí registrou crescimento de 101% — de 1,89 para 3,8.
Tendência
Enfermeiros
Fonte: DATASUS / IEPS
Percentual de domicílios com acesso adequado a abastecimento de água tratada e esgotamento sanitário. Diretamente relacionado à saúde pública - municípios com baixa cobertura apresentam maiores taxas de doenças de veiculação hídrica e mortalidade infantil.
Entre 2010 e 2025, o indicador de Tatuí se manteve estável: de 94,64% para 96,79%.
Tendência
Fonte: IEPS
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