O setor de saúde em Mongaguá revela um paradoxo entre o elevado comprometimento fiscal do município e a instabilidade dos resultados práticos. A prefeitura destina uma parcela expressiva de suas receitas próprias para a saúde, mantendo o indicador IEPS consistentemente acima de 30% nos últimos anos, patamar muito superior ao mínimo constitucional de 15%. Esse esforço financeiro viabilizou o fortalecimento do corpo de enfermagem, que saltou de 0,34 profissionais por mil habitantes em 2010 para mais de 1,06 em 2025. Contudo, a taxa de médicos flutua em torno de 2 por mil habitantes, e a oferta de leitos hospitalares pelo SUS sofreu uma redução drástica, caindo de 94,2 por cem mil habitantes em 2010 para 55,5 em 2025, sem que houvesse uma contrapartida sustentável de leitos privados (que só registraram presença temporária em 2021 e 2022, provavelmente devido à estrutura emergencial da pandemia de COVID-19). O reflexo mais preocupante dessa oscilação estrutural é a extrema volatilidade da taxa de mortalidade infantil, que alterna anos de patamares excelentes (como 3,1 em 2013 e 9,72 em 2019) com picos alarmantes (como 24,43 em 2015 e 16,49 em 2023), sugerindo falhas na consistência da atenção primária e do acompanhamento pré-natal, que não conseguem manter um padrão de excelência linear diante do crescimento populacional.
A taxa de mortalidade infantil mede os óbitos de crianças com menos de 1 ano de vida por 1.000 nascidos vivos. A OMS considera taxas abaixo de 10 como baixas e acima de 30 como altas. É um dos indicadores mais sensíveis das condições de saúde, saneamento básico, nutrição e acesso a cuidados médicos.
Entre 2006 e 2023, Mongaguá registrou crescimento de 76% — de 9,36 para 16,49.
Tendência
Fonte: IBGE
Número de leitos hospitalares do Sistema Único de Saúde por 100 mil habitantes. A OMS recomenda ao menos 300 leitos por 100 mil para um sistema de saúde adequado. Inclui leitos cirúrgicos, clínicos, obstétricos, pediátricos e de UTI da rede pública.
Leitos SUS — Cobertura baixa
Leitos não-SUS (rede privada)
Tendência
Fonte: IEPS / DATASUS
Número de médicos por 1.000 habitantes. O Conselho Federal de Medicina recomenda ao menos 2 médicos por 1.000 habitantes para atendimento adequado. A má distribuição de médicos é um dos principais desafios da saúde pública brasileira.
Médicos
Entre 2010 e 2025, Mongaguá registrou queda de 7% — de 2,1 para 1,96.
Tendência
Enfermeiros
Fonte: DATASUS / IEPS
Percentual de domicílios com acesso adequado a abastecimento de água tratada e esgotamento sanitário. Diretamente relacionado à saúde pública - municípios com baixa cobertura apresentam maiores taxas de doenças de veiculação hídrica e mortalidade infantil.
Entre 2010 e 2025, Mongaguá registrou crescimento de 10% — de 86,67% para 95,44%.
Tendência
Fonte: IEPS
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